quinta-feira, 4 de agosto de 2016

O futebol, a vida e o jornalismo esportivo! A tragédia do Sarriá!

Ninguém conseguiu para o italiano Paolo Rossi e o Brasil acabou eliminado da Copa de 82
Alô, amigos!
Na semana passada publiquei a história de uma do início da caminhada de uma das maiores seleções de todos os tempos na Copa da Espanha em 1982. CLIQUE AQUI E LEIA OS CAPÍTULOS ANTERIORES. 

BRASIL X ITÁLIA- (PARTE I - 1978-1982)

JULHO DE 1982
    
Os torcedores no Estádio Sarriá, em Barcelona, ficaram perplexos ao verem aquele que sem dúvida foi o melhor time na competição ser eliminado por uma Itália sem futebol, mas com alma e com Paolo Rossi. E assim ficou todo o brasileiro nesse dia negro para o futebol tupiniquim. 

Meu Deus, bastava empatar que nós estaríamos na semifinal da Copa. O que custava? Pela terceira vez eu chorava pelo futebol. A primeira foi de alegria quando fui ao Estádio Santa Rosa assistir Inter e Novo Hamburgo. Chorei de alegria, é claro! A segunda foi quando o Brasil estreou nessa mesma Copa. E agora na tragédia do Sarriá. 

O atacante italiano teimava em querer provocar uma verdadeira desgraça naquele dia em Barcelona e no Brasil inteiro. A cada gol de Paolo Rossi, nós empatávamos. Eu tinha certeza de que nada poderia nos tirar a vitória ou classificação. Aliás, o país pensava assim. Os críticos pensavam assim. Os jogadores pensavam assim. Telê Santana pensava assim. Menos os italianos. 

Falcão fez o segundo gol do Brasil, mas não adiantou
O jogo estava 2 a 1 para eles quando o Rei de Roma, Paulo Roberto Falcão dominou a bola com elegância, como só ele sabia fazer, foi em direção a área do goleiro Dino Zoff e disparou um foguete, cheio de efeito mortal e moral. O meu coração também disparou, assim como o chute do Falcão, quase saindo pela boca e caindo no chão gelado da sala da minha casa. Estava agora, igual o jogo. O resultado levava o Brasil adiante na Copa. Era metade do segundo tempo e estava tudo certo. 

Os gols daquele maldito, não passava de um susto. Lá estava eu, no assoalho de casa brincando de narrador com os meus dedos craques de futebol. Espera, eu explico. Quando criança, eu jogava futebol, imagina só, com uma bola de fita e os dedos indicador e médio como pernas do jogador. E meu time era aquela Seleção de 82. 

Pronto. Nós tínhamos que nos preparar para encarar a Polônia de Boniek. Afinal de contas, a melhor campanha no torneio foi a nossa. É claro, tivemos dificuldades para passar pela União Soviética, saímos atrás contra a Escócia, mas depois viramos o jogo. Goleamos a fraca Nova Zelândia. Derrotamos a Argentina, então campeã mundial, em uma partida que Diego Maradona deu um pontapé no Batista e foi expulso. Não seria a Itália, que empatara até com os Camarões, a nos tirar a chance de ser tetra. Tinha mesmo que dar Brasil. Mas o desgraçado do Paolo Rossi não quis assim. 

Gentile fez pênalti em Zico, árbitro não marcou
Mesmo Falcão jogando o que jogou, não conseguiu evitar a tragédia brasileira. Convenhamos, o Toninho Cerezo também ajudou a afundar o Titanic. Nem mesmo o pênalti, que o árbitro do Israel não marcou, de Gentile sobre Zico, não adiantaria. Pois, o iceberg no caminho da nossa Seleção seria inevitável. Era o fim. Estávamos fora. O que dizer, o que pensar. Chorei muito, com a minha camiseta 10 do Brasil nas mãos, ajoelhado em frente a televisão. Por isso, a Itália até hoje não me desce. Mesmo depois do tetra em cima deles em 1994 nos Estados Unidos (e tinha que ser em cima dos italianos). 

Fiquei tão decepcionado que cheguei a pedir à mãe para não ir à escola. É claro que ela não aceitou e ainda deu-me um sermão, dizendo que não passava de um jogo de futebol, uma besteira. Imagine só, uma besteira? Deus perdoou a minha falecida mãe por isso. Já estava com dez anos e sonhava noite e dia em ser jogador de futebol. Mas também, corria pela veia um sangue diferente. O sangue de jornalista. Isso eu fui descobrir mais tarde, com 21 anos. 

Os dias e meses foram passando e eu esquecia a tragédia do Sarriá. Tanto que voltei a jogar com os meus amigos num campo de futebol improvisado perto da minha casa. O engraçado é que por algum tempo deixei de ser Zico ou Falcão e me tornei o italiano Bruno Conti quando corria atrás da bola. Os malditos me influenciaram a tal ponto que acabei me tornando um deles. 

Fórmula 1 com Nelson Piquet e sua Brabham
Neste ano, também surgiram outras paixões, além do futebol. O automobilismo, com a Fórmula 1 e a música. Nélson Piquet, Niki Lauda e Keke Rosberg eram os principais pilotos na época e para mim, o Piquet era o melhor. Gostei tanto de Fórmula 1, que comprava sorvete seco com carrinhos ou para quem lembra as famosas “baratinhas”. Na música, Tim Maia, com aquela balada “me dê motivo, prá ir embora, estou vendo a hora de te perder.....”e assim ia. 

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