quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A vida, o futebol e o jornalismo esportivo!

Paulo Roberto, Mazaropi, Baideck, China, Casemiro, De Léon.
 Agachados: Renato, Osvaldo, Caio, Tita, Tarciso e o massagista Banha.
Alô, amigos!
Na semana passada publiquei a história da tragédia do Sarriá e a eliminação de uma das maiores seleções de todos os tempos na Copa da Espanha em 1982. CLIQUE AQUI E LEIA OS CAPÍTULOS ANTERIORES. 

GRÊMIO X PEÑAROL  - PARTE II (1983-1987) 

JULHO DE 1983

A partir deste jogo, o futebol e a rivalidade estariam mudando a história do povo gaúcho. Crescia a disputa entre gremistas e colorados. Era como se nós, gaúchos, voltássemos no tempo, e num tempo muito distante, quando Maragatos e Chimangos disputavam o cenário político. 

O Grêmio estava ultrapassando os limites do território nacional e conquistava o maior título do continente. Estava, o tricolor, portanto, passando pelo Internacional. A conquista da Libertadores da América levava para a final do Mundial Interclubes, em Tóquio, no Japão. E nada poderia ser maior, até então. 

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Eu ainda tinha dez anos de idade e para mim este título marcou demais. Assim como marcaria o Mundial de Clubes. Um outro ídolo surgiria neste ano de glórias. Ele era forte, por vezes rápido. Ele era driblador, entortava quem aparecia na frente. Ele era irreverente e brigão. E também mulherengo. Mais tarde, acho que um ou dois anos depois lembro que fiz de tudo para ter o cabelo igual ao dele. 

Estou me referindo a Renato Portaluppi, ou simplesmente Renato Gaúcho como foi batizado mais tarde no centro do país quando vestiu a camiseta da Seleção Brasileira. Até hoje se discute quem foi o melhor jogador do futebol dos pampas de todos os tempos: Renato ou Falcão. Um gremista, outro colorado. Mas indiscutivelmente, Renato foi um craque. Só não esteve na Copa de 1986 no México, por pura teimosia do técnico Telê Santana.

A decisão foi sofrida e sangrenta. O capitão Hugo De León levantando a taça com cara de vencedor me fez lembrar Che Guevara. O time gaúcho estava bem, logo no início do jogo, Caio marcou, numa jogada pelo lado esquerdo. No segundo tempo, o Peñarol voltou disposto a empatar o jogo. E aos 25 da etapa final, Morena empatou o placar. Um grande calafrio percorreu a espinha dos torcedores. 

Renato é sem dúvida o maior jogador da história do Grêmio. Foto: José Doval
Mas, o Grêmio tinha Renato Portaluppi. Um lance que nunca mais ninguém vai esquecer. A bola estava com ele, quase na linha de fundo pelo lado direito. Ele domina a bola, com marcação uruguaia esbaforida atrás. Renato faz embaixadas, e num lance inacreditável cruza para área, lado esquerdo, e ali entrou César, que havia substituído Caio, para dar uma cabeçada mortal. Metade do Rio Grande sorriu, chorou e berrou. A outra metade, chorou, esbravejou e praguejou. Grêmio, campeão da América!

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