sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O futebol, a vida e o jornalismo esportivo! Fim da era Zico!

O grande Zico telegrafou o pênalti e Bats defendeu
Alô, amigos!

BRASIL X FRANÇA  - PARTE II (1983-1987) 

JUNHO DE 1986

Que calvário! De novo os franceses nas nossas vidas. Eles adoram acabar com as alegrias contidas em cada um de nós brasileiros. Quando menos se espera lá está a França, de novo.  E nós veríamos este filme se repetir mais duas vezes em Copa do Mundo! E desta vez eu fiz de tudo. Até uma foto do craque Michel Platini recortada de jornal serviu para tentar parar o time francês. Coloquei esta foto no congelador! Não adiantou.

Craque francês Platini decidiu em 1986 contra o Brasil
Novamente uma tragédia se aproximava, mas desta vez ela era aguardada. Mesmo porque, o futebol que apresentamos em outras partidas na Copa do Mundo não foi suficiente para enganar o torcedor a tal ponto de chegarmos a final da competição. Mas lá estávamos nós de novo em frente a tevê. Outra vez o Brasil inteiro parou para ver a Seleção Brasileira. Eu já preparava o adversário. Queria a Itália, para vingar 82. 

Nessa época o rádio estava presente nos melhores e piores momentos vividos no futebol. Ao meio-dia ficava ligado nos noticiários esportivos e a partir da uma da tarde, no programa de debates da Rádio Gaúcha, o Sala de Redação. Durante os dias, formava a minha opinião sobre o futebol do Brasil. Lembro como se fosse hoje, o professor Ruy Carlos Ostermann, Paulo Santana, Kenny Braga, Lauro Quadros e Lasier Martins, debatendo com qualidade o futebol. 

Não passava pela minha cabeça mais uma tragédia. Mas a todo momento, antes e durante o jogo, o filme do Sarriá passava como um longa-metragem. Aos 18 minutos do primeiro o grande Careca, melhor jogador do Brasil nesse Mundial, abriu o placar. Festa geral na minha casa e em todas as casas do país. A equipe francesa contava com Platini, Giresse, Rocheteau e Stopyra. E após uma jogada envolvendo este trio final, Platini marcou o gol de empate, antes de o árbitro encerrar o primeiro tempo. 

Fim de uma era fantástica na seleção brasileira, embora não tenha sido campeão do mundo
Em um dos muitos ataques, Zico lançou o lateral Branco, que invadiu a área e foi derrubado por um zagueiro francês. Na área, éééé pênaltiiii!, disse o locutor Osmar Santos. Sócrates, o cobrador oficial pediu para que Zico batesse. O Galinho tinha entrado em campo dois minutos antes. Ele não seria capaz de perder uma chance como essa. Ajoelhado em frente a tevê, rezando, assisti o Zico bater mal e Bats defender. Zico perdeu o pênalti, e o Brasil o tetra. Este fato marcou o começo do final da nossa participação no México.

Era o fim de uma geração de grandes craques do futebol brasileiro. Os grandes jogadores estavam velhos e derrotados. Era o último mundial de Zico, Falcão, Sócrates, Júnior, Edinho, Dirceu e Leão. Não teríamos jogadores para substituí-los. E até hoje, eles são insubstituíveis. Chorei tanto que parecia uma criança de colo quando está com fome. No meu caso, uma criança de treze anos, com fome de vitória. O meu sonho mais uma vez acabou. Nesse ano eu jogava nas escolinhas do Novo Hamburgo.

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