sábado, 15 de abril de 2017

A vida, o futebol e o jornalismo esportivo!

Eu (à direita), 1996, atuando como repórter de campo pela Rádio ABC 1470 AM, na época emissora do Grupo Sinos em um jogo de decisão pelo Estadual de Amadores, no Estádio dos Eucaliptos, em Ivoti.
PARTE IV
(1995-1998)

Alô, amigos!

GRÊMIO X PORTUGUESA - PARTE IV (1995-1998) 

DEZEMBRO DE 1996

Foi um ano bastante difícil para mim. Sei lá o que eu estava querendo, exatamente. As minhas companhias não eram agradáveis e sempre perigosas. Aquilo me deixava confuso e quase sempre sem rumo. Eu dormia sem dormir. Eu acordava e estava dormindo. Eu pouco dormia. Eu pouco comia e não curtia a vida. Foram dias difíceis, confesso. As canções da Legião Urbana não saiam da minha cabeça e aquilo estava me detonando. Em maio deste ano sofri uma cirurgia de apêndice. Foi uma operação bastante complicada e por pouco não passei dessa para uma melhor. Confesso que me apavorei. Foram dez dias no hospital que pareceram dez séculos.

"Estava chato ser repórter de jornal pequeno. Decidi pedir demissão. A minha missão, portanto estava apenas começando. Seria um caminho muito difícil. Eu teria que correr contra o tempo, afinal de contas eu não era mais um guri, estava com 24 anos. Voltei à Rádio Progresso 900 AM. Aos finais de semana era repórter nos jogos do Esporte Clube Novo Hamburgo contra os times do interior no Campeonato Gaúcho da Segunda Divisão. Conheci várias cidades do Rio Grande do Sul por conta dos campeonatos em que a Progresso transmitia. E lá ia eu e o Marcos Couto na delegação que levava os jogadores do Novo Hamburgo para mais um jogo em Bagé. Neste mesmo ano, recebi um convite para trabalhar na Rádio ABC 1470, emissora na época, do Grupo Sinos. Aceitei imediatamente o convite para ser repórter free-lance de alguns jogos pelo Campeonato Gaúcho e Estadual de Amadores" 

Este grupo de jogadores do Grêmio ergueu a taça de campeão do Brasil, em 1996
Chega a final do Campeonato Brasileiro e a Rádio ABC estava lá para transmitir. Eu também estava lá. Foi, confesso, uma das maiores alegrias da minha carreira. Eu estava numa decisão de Brasileirão que dava o bicampeonato ao Grêmio. Um Estádio Olímpico com mais de 50 mil pessoas. Foi inevitável a emoção. O Grêmio já não tinha mais Jardel. E não tinha também o meia Arílson. E parecia que todos estavam torcendo contra o Grêmio. Logo no início do jogo o atacante Paulo Nunes marcou para o Grêmio. 

Eram três minutos do primeiro tempo. O Olímpico quase veio abaixo. Demorou bastante, uma eternidade para que os torcedores pudessem soltar o grito de goooool! Era quase final de jogo, quando Carlos Miguel lançou uma bola na entrada da grande área e o centroavante Zé Afonso, todo desengonçado, escorou de cabeça para a chegada do meia Aílton, que entrou no segundo tempo no lugar do guerreiro Dinho. Assim como a bola veio, Aílton pegou de primeira e emendou uma bomba no angulo do goleiro Clemer. Grêmio 2 a 0. Grêmio campeão do Brasil. O Estádio Olímpico estremeceu de alegria. 

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